O desenvolvimento econômico que todos dizem crescente em Sete Lagoas e no Brasil pode trazer alguns riscos no que tangem ao desenvolvimento sustentável, pois se não forem feitos planejamentos adequados podemos perder ainda mais nossa qualidade de vida, trazendo impactos sociais e ambientais catastróficos.
Citamos alguns dos aspectos urgentes e necessários para nossa sélagoa:
- Áreas de Proteção Ambiental – APAs:
Regulamentação, implantação e medidas efetivas para a preservação das APAs entre elas a Serra de Santa Helena e a Lagoa Grande.
- Criação e implantação do Parque da Lagoa da Chácara
Estão acontecendo intensos debates para criação de um Parque naquela grande área verde no pé da serra, chamado de Pasto do Gerso ou Fazenda Arizona. Muitos estão mobilizados e buscando mecanismo para implementá-lo, porém os donos da área estão pensando em construir lá um empreendimento que possibilite lucro para eles, visto que o local se encontra muito valorizado, principalmente por estar situado próximo ao novo shopping.
- Qualidade do ar:
Respiramos um ar com os piores índices de qualidade, devido as siderúrgicas ultrapassadas, que além de queimar o nosso cerrado em seus fornos, não possuem sistemas adequados para mitigação e compensação dos seus poluentes atmosféricos. Além disso, está sendo instalado mais uma indústria (cimenteira) com grande potencial poluidor.
- O nosso relevo Cárstico:
Nossa cidade está embasada num verdadeiro “queijo suíço” como se diz por aí, ou seja, há ductos, e grutas em nosso subsolo, preenchidos com a água que é infiltrada pela chuva. O nosso sistema de abastecimento de água é todo obtido destas reservas e o que acontecerá com o teto dessas cavernas se retirarmos a sua base de sustentação, que é a água? Abatimentos abruptos e desmoronamento de terrenos. São necessários estudos que definam a capacidade de suporte hidrogeológica e suas vulnerabilidades frente ao novo cenário de impermeabilização do solo e uma maior demanda de água para o consumo; Deve-se também incentivar o uso consciente do recurso hídrico, além da preservação das áreas de recarga dos aqüíferos,
- Estação de Tratamento de Esgoto - ETE:
Temos a maior descarga no rio das Velhas, os nossos córregos que fazem parte da Bacia do Ribeirão Jequitibá, despeja os nossos dejetos diretamente no rio, uma das poucas cidades que nada fez para atingir a Meta 2010 incentivada pelo projeto Manuelzão. Não há se quer andamento para construção das ETEs.
-Outros esforços necessários a serem empreendidos para uma melhor qualidade sócio-ambiental do município:
Recuperação dos córregos, lagoas e nascentes; Arborização Urbana; Fiscalização e mais cobrança das indústrias poluidoras; Coleta Seletiva e reciclagem dos resíduos; Educação Ambiental; Urbanização mínima e adequada para o transporte público e para as ciclovias.
Temos que cobrar estas ações se quisermos pensar em um futuro para nossos filhos aqui em 7 Lagoas. Se não houver pessoas engajadas e participativas para dar um direcionamento ao desenvolvimento, corre-se o risco dele ser explorado insustentavelmente.
Infelizmente, há uma grande parcela da juventude que ainda não acordou para a grande dimensão do problema ambiental. Há um vazio de sonhos e causas que os incentivem a se mobilizar, assim como fez os jovens de 60 e 70.
A defesa do planeta e da nossa própria espécie talvez seja a única capaz de incentivar a mobilização da juventude nessa época tão difícil em que estamos vivendo. Ainda há tempo de a crise ecológica e econômica não se transformar em uma tragédia, mas numa oportunidade de mudança.
Só com a participação ativa da sociedade pensando e agindo, podemos garantir que este desenvolvimento seja feito de forma participativa e democrática. Vamos manter os nossos sonhos e lutar por nossos ideais e assim exigir uma Sete Lagoas mais democrática e ativa no cenário ambiental, social e cultural.
Gustavo Ganzaroli Mahé - Ecólogo
Coordenador de Projetos Sócio-ambientais
Vice-Presidente do CODEMA
Integrante do subcomite do Ribeirão Jequitibá
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
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